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Mostrando postagens de Setembro, 2014

o longo caminho para casa

(Música do dia: Bad Blood - Bastille)

O caminho da minha casa para o colégio, é longo.
Quando saio do colégio, já sinto o cansaço antecipado nas minhas costas e pernas. A minha mochila não é pesada, contém somente os meus cadernos, o estojo, uma garrafa d'água, e meu livro de Espanhol. Pego as duas moedas de cinquenta centavos no bolso menor que há na minha mochila, e as coloco no bolso da minha calça. E então, sigo o caminho. A calçada do meu colégio é preenchida por pedras, areia, lixo e cheira muito mal. Mas não posso atravessar a rua agora, não importa quanto o sol queime ou me cegue com sua luz. Passo duas quadras antes que eu pare na padaria e compre os pães que a minha mãe mandou. Quando entrego o dinheiro ao homem do caixa, que resiste em manter sua carranca dia após dia. No caminho há vários cheiros diferentes no ar. Frutas, lixo, pão, fumaça, sabão, cerveja. Eu observo todos os pequenos detalhes. Eu vejo a loja que vende bicicletas. As senhoras sentadas em cadeiras de plás…

alegria na escuridão

(Música do dia: Things We Lost In The Fire - Bastille)

Eu estava na cozinha.
Era uma noite de domingo, e toda a minha família estava na sala, exceto eu, que estava na cozinha, com um livro me fazendo companhia. Seria uma noite perfeita, se ao menos houvesse energia, mas a única fonte de luz estava vindo de uma vela solitária grudada em uma xícara sobre a pequena mesa de madeira. Como havia faltado energia, ouvia-se somente carros e motos passando de minutos em minutos, sem o antigo som das festas que estavam acontecendo antes da falta de energia. Mas de alguma forma, o escuro estimulava a minha criatividade e dava-me mais e mais ideias, o que me fez subitamente interromper a minha leitura e escrevê-las antes que se esvaissem da minha mente como fumaça no ar. Ainda havia uma pilha de pratos para eu secar, e a minha mãe já estava ficando impaciente comigo. Mas eu não podia fazer nada. As palavras simplesmente vinham até minha cabeça, e mesmo que a minha mão doesse, sentia o impulso de continu…

três razões que formaram um dia maravilhoso

O meu dia começou ás onze e cinquenta da manhã, com a voz da minha mãe nos chamando para a vida real. Eu nem tive tempo para tomar café da manhã, e já fui logo tomando banho, trocando de roupa, e arrumando a bolsa. O dia foi um tanto confuso quanto maravilhoso. Saímos de casa ás uma e vinte, já atrasadas. Quando estavámos perto do local em que íamos comprar Ryffles, minha irmã lembrou que havia esquecido o cartão, e com isso voltou para casa e eu fui comprar a Ruffles. Mas havia um pequeno problema, não havia Ruffles. Uma perda de tempo. Mas compramos depois. Caminhamos até o ponto de ônibus e não demorou muito para o nosso ônibus chegar, o que me deixou surpresa. Fomos sentadas, o que eu considero um luxo nos dias de hoje. E com isso, os meus pensamentos começaram a divagar, e ideias começaram a surgir, o que era horrível, pois eu não havia trazido nem um papel sequer comigo. ''Um pequeno fato: se você é escritor ou escritora em formação como eu, sempre leve um papel e canet…

a garota do cabelo enferrujado

O sinal tocou. Para mim, era o som da liberdade, quero dizer, o som muito irritante da liberdade. Guardei meu caderno e livro de História na mochila, e sai da sala o mais rápido que pude. Era um dia nublado e frio em Londres, como quase sempre. Mas não iria para casa naquele momento. Havia algo que tinha que fazer, e pode parecer meio bobo, mas nunca iria para casa sem antes passar na biblioteca que ficava perto do colégio. Virou um ritual, sabe? Quando cheguei, empurrei uma das portas de vidro com o ombro direito, e entrei sem cerimônia. A bibliotecária sorriu quando me viu. É claro que ela me conhecia muito bem, pois dos meus quinze anos de vida, ela havia presenciado cinco, então eu já não era somente uma garota qualquer, com cabelos ruivos enferrujados e olhos castanhos, que usava somente calças jeans, camisetas de bandas antigas e tênis All Star. Ela me conhecia pelo que eu realmente era: uma amante dos livros. Sorri de volta e reparei em um de seus muitos vestidos estampado…

imergi-los pro seu fim

Vocês lembram do meu post será?
Bem, só estou fazendo esse aqui para lhes comunicar sobre uma decisão que tomei.
Eu definitivamente não gosto daquele garoto, como nada - nem como amigo e nem como algo mais. Para falar a verdade, acho que estou meio que cansada dele.
A personalidade dele parece com a do meu pai, e se eu não aguento meu pai ás vezes, imagina ele!
Vocês provavelmente estão pensando que sou uma idiota, e isso em parte é a mais pura verdade. Mas o que eu posso fazer se eu não gosto dele? Vou me forçar a isso?
Não posso e não vou, pois não tenho essa obrigação.
Acho que vou começar a me afastar dele, porque depois pode ser tarde demais. Na verdade, comecei a fazer isso hoje.
Eu tomei a decisão certa?
Por favor, comentem alguma coisa. Parece que estou escrevendo para fantasmas!
É isso.

-S.C

dez minutos de vida

O que você faria se descobrisse que só tinha dez minutos de vida? A primeira coisa que você pensar, é aquilo que te deixa mais feliz. Foi comprovado, é sério. Por exemplo, eu. Acho que eu me deitaria na cama, colocava os meus fones de ouvido, e escutaria música até acabar. O que estaria na minha playlist: -Oh Life, Avalanche City -White Winter Hymnal, Birdy -Um Só, Clarice Falcão -Posso, Silva -Neutron Star Collision, Muse E você, o que faria com somente dez minutos?
-S.C

sonhos na balança

Eu tenho muitos sonhos, acho que você já entendeu isso. Mas eu não sei se posso colocá-los em uma balança e ver qual deles pesa mais para a minha vida. Vamos ver. Morar em Londres: quero muito. Londres é a cidade perfeita para mim, tem uma arquitetura antiga, museus, lojas de música onde posso encontrar relíquias, clima frio e chuvoso, é simplesmente perfeita, e eu a amo. Lançar os meus livros: sonho desde sempre. Desde que comecei a escrever não somente sobre a minha vida, mas sim sobre os mundos que criava, tenho esse desejo de deixar o mundo inteiro ler essas histórias também. Ser feliz: já tenho 50% realizado. Mesmo que não acredite que a felicidade não esteja em um pote de ouro no fim do arco-íris, eu penso nela constantemente. Pelas circunstância da minha vida e pelo o que eu sou, dificilmente as pessoas me acham normal, e não estou feliz com isso. Agora, pensando bem, acho que não ficaria feliz vivendo em Londres sem ter lançado os meus livros, acho que me tornaria uma daquelas velh…

reflexões sobre a vida, a morte, e o amor

A vida é um mistério. E é ainda maior que a morte e o amor, que são tratadas como os maiores temas sobre quais escrevemos. Mas temos que nos lembrar que eles não são somente os maiores temas da escrita, mas também da vida. Não sabemos o porque de vivermos. O porque de amarmos. Ou o porque de morrermos. Não sabemos do que a vida é feita, ou ao menos para o que foi criada. Qual é o propósito disso tudo afinal? Por que nós nascemos, amamos, comemos, rimos, dormimos, sonhamos, e morremos? Esse é o mistério da vida: a vida em si. Nós podemos ter uma ideia do que é realmente o amor, ou do que é realmente a morte, mas acho que nunca saberemos o verdadeiro significado de tudo isso. Para mim a morte é apenas um ritual de passagem para outra vida, essa é a minha opinião. Mas cada um tem sua opinião e eu tenho o dever de respeitá-las, porque não é a minha obrigação pensar igual ao próximo. O amor, penso eu, é quando duas almas se completam, se confiam, se sentem livres uma com a outra, e sacri…

entediada ao quadrado

família completamente confusa

filosofia ás quatro da tarde

Há uns dias atrás quando estava no meu caminho de casa para escola, me deparei com a minha colega conversando com mais duas outras garotas quais eu havia visto algum potencial de amizade. Uma estudava na sala ao lado, e a outra estudava na sala do garoto que eu gosto.  Fomos nós quatro juntas para a escola, e ficamos conversando sobre os nossos nomes, somente para não ficarmos em um silêncio constrangedor. Mas eu realmente gostei delas.  Essa tarde, eu estava no meu caminho para a escola quando vi a garota da sala do garoto que eu gosto no mesmo caminho. Antes que você possa pensar alguma outra coisa, deixe-me explicar: eu não queria falar com ela especialmente por causa dele, ela parecia ser uma garota legal, com quem você pode fazer amizade, sabe? Então, foi mais ou menos assim, como eu ando rápido demais, passei por ela fingindo não a ter visto, mas depois de um tempo, ela me alcançou e eu puxei assunto. Descobri alguns fatos sobre ela durante a nossa conversa. Ela veio da Bahia, fala…

o essencial é invisível aos olhos

O primeiro livro que eu li de verdade, foi Pretinha, eu? de Julio Emilio Braz, eu tinha seis anos e não queria ler de jeito algum, mas a minha mãe me obrigou a fazê-lo, então todo dia depois da escola, eu pegava o livro e entrava no mundo daquela garota que sofria por ser negra. Quando terminei de ler o livro, percebi que aquilo o que estavam fazendo por ela era completamente errado, e fiquei com nojo daquilo.  Desde então, sou a favor de você ser o que é sem dever nada a ninguém. Não tenho preconceito algum, e contanto que a pessoa não me incomode, eu não vou falar mal dela e sequer brigar com ela. As únicas coisas que sou contra são: agressão, hipocrisia e ignorância. Recentemente terminei de ler O Pequeno Príncipe, e adorei o livro, quer dizer, é um pouco triste, mas é muito bom. E acho que entendi um pouco sobre o que ele fala quando as pessoas grandes se importam demais com os números e esquecem as coisas realmente importantes. E vejo isso. Por exemplo, o que eu entendi f…

será?

Esse ano eu fiz mais um amigo totalmente inesperado e nem tanto. Desde o primeiro dia de aula que eu vi nele um potencial de amizade, sei que isso pode soar meio estranho, mas eu sempre faço isso no primeiro dia de aula, e nos outros seguintes. Virou costume. Então, de qualquer jeito, nós meio que somos amigos agora. Ele já sabe praticamente da minha vida toda, ou pelo menos o que importa, e eu sei um pouco sobre ele, e eu realmente gosto dele, mas como amigo, e nada demais, antes que você pense outra coisa. Só que as minhas amigas ficam tirando onda, dizendo que acham que ele gosta de mim, e até a minha mãe e a minha irmã disseram isso quando descrevi uma de nossas conversas, mas eu acho pouco provável isso acontecer. Quero dizer, eu não vi sinal algum, ou pelo menos não quis ver. Eu sou cega o suficiente para não reparar que um garoto gosta de mim? Eu desejo para que isso não seja verdade, porque se for, tenho certeza absoluta de que vou o magoar de alguma forma, e isso é algo que …

cansada de ser constantemente lembrada

Faz um tempo que eu trabalho ensinando a minha irmã mais nova que não é realmente a minha irmã - explico isso em outro post - e também ensino o meu primo de sete anos. Assim, no total, eu ganho cerca de trinta reais por mês, o que não é muito, mas pelo menos eu posso comprar um livro, uma blusa, ou algo assim. O fato é que, essa tarde estava fazendo um trabalho com a minha irmã mais nova, e minha mãe minha irmã, simplesmente não conseguem ver nem uma letra fora do lugar que já acham que tem que apagar aquela parte e fazer de novo. E isso me tira do sério, tal como elas ficarem me lembrando constantemente de qual é a minha tarefa, digamos que como professora.